quarta-feira, 14 de março de 2018

Despropositado ou sinceridade?


Porque em qualquer viagem existem sempre momentos insólitos, um que nos faz sorrir ainda hoje aconteceu Camacha, bem no interior da ilha.

Por indicação de um ilhéu, conhecedor dos segredos gastronómicos da sua terra, fomos almoçar Taberna dos Caçadores.

A publicidade entusiástica que este senhor nos fez incluía vista para a serra e para o mar. Uma insuspeita taberna, em que o dono, chef e homem dos mil ofícios, nos iria prepara pratos que poderiam ser servidos no mais cosmopolita dos restaurantes.

Porque gostamos de nos aventurar, lá fomos nós, em direção à estrada velha da Camacha. Ora o que a publicidade não incluía é que este chef gostava de descansar… e muito.

13h. e porta fechada. Atrevemos a bater, pois podia ser um restaurante de acesso restrito. Podia, mas não era. Estava mesmo fechado.

Temos fome. Solução óbvia? Vamos ao restaurante ao lado. A meio caminho entreabre-se a porta e surge uma cabeça grisalha, despenteadíssima e com olhos a adivinhar uma noite anterior intensa.

- O que querem ??

- Boa tarde, vínhamos almoçar. Um senhor na Vila diz que este restaurante serve almoços e os prat….

- Está fechado.

E esta alma, que nasceu para comerciante, bate com a porta.

Não se almoçou nada mal no restaurante contiguo, O Estrela do Norte. Funcionava num edifício rústico e bem decorado. Findo o repasto e depois de uma manhã a andar a bom ritmo, decidimos regressar de autocarro à Vila, tanto mais que o gerente do restaurante havia garantido que o percurso era feito por estradas que ainda não conhecíamos.

E eis que, quando o nosso grupo está calmamente sentado à volta da paragem é abordado pelo dorminhoco mal humorado… que trazia uma caixa plástica na mão com o percebemos depois serem vários filetes de salmão a marinar.

De forma determinada disse: Têm que voltar. Eu faço o melhor salmão da ilha. Cheirem! (o homem para além de nascer para comerciante, é um relações publicas nato).

Entre a surpresa por esta abordagem rústica e o ficar sem argumentos por tal assertividade, ele foi-se embora a gritar

- Se soubesse que eram tantos tinha feito o almoço.

Podia ter muitos defeitos, mas de falta de sinceridade não o podemos acusar.

terça-feira, 13 de março de 2018

Descobrir a ilha


Há quem fique pela praia e não visite a ilha. Fica preso a essa espécie de autoestrada de areia branca e pensa (erradamente) que num “bocadinho” tão pequeno pouco mais haverá para ver do que o que a vista alcança. Erro de amador.

Da ponta Este até à extremidade Oeste, passando pela Costa Norte, vão poucos minutos de distância, mas há miradouros escondidos, montanhas surpreendentes, mudanças de vegetação e até um mini zoo que surpreendem a cada passo.


Única escolha possível: calçar os sapatos mais confortáveis e partir ao encontro dos caminhos menos evidentes de Porto Santo. Caminhos não, veredas, que levam a locais quase secretos, que são impossíveis descobrir de outra forma.

Uma caminhada do Pico Branco à Terra Chã, pelo Pico da Ana Ferreira e Pico do Castelo entusiasmas-nos o suficiente para querermos alcançar o Pico do Facho, o ponto mais alto da ilha.

Ah… e Ponta da Calheta um lugar de eleição por ser aqui que termina o longo areal. O lugar onde a areia dá lugar às rochas, às falésias e a ilha se transforma numa montanha, aliás, em várias pequenas montanhas.

Numa descrição tão exaustiva, só não consigo colar aqui o principal: O cheiro a mar, o som da areia a ceder aos nossos passos, o cheiro da brisa entre a vegetação, o raio de sol que consegue fintar os nossos óculos de sol.

Afinal as melhores lembranças não ficam nas fotos, ficam nas nossas memórias.



sexta-feira, 3 de abril de 2015

Onde ficar... a minha sugestão

São nove quilómetros de areias douradas, um convite a explorações e longas caminhadas. 

Ao final de cada dia de aventura relaxar no SPA do Pestana Porto Santo, com piscina interior. Grande, mas não gigante. 


Situado dentro da praia, mas com vista para a montanha.


In door e out door... tudo ao mesmo tempo! 

sábado, 21 de março de 2015

Do Alentejo para a Macaronésia

Como alguém uma vez disse, se a Madeira é o jardim não oficial de Portugal, a ilha de Porto Santo é a praia oficial da Madeira. 


~
Um pequeno pedaço de terra com uma enorme língua de areia, onde desde pequenos os madeirenses se habituaram a mergulhar. 


Agora vai ser a minha vez!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Alentejanos por três dias

Começamos o ano na Costa Vicentina. No final do Inverno, quando ainda o mar está agreste, perigoso para nadadores amadores e com uma imponência que se sente, e quase se cheira, nas fotografias.


É assim, nas praias da Zambujeira do Mar, no Sudoeste Alentejano, um cenário que se estende até ao Cabo Sardão, uma das zonas mais privilegiadas do mundo para observar ninhos de cegonhas.


Aproveitámos esta visita fora do calendário turístico, para conhecer algumas das muitas aldeias e vilas, com as suas ruas estreitas, calcetadas com pedras gastas pelos tempos, que serpenteiam por casinhas baixas, a maioria ainda caiadas de cal, testemunhos de tradições de tempos idos.


Os mais velhos não escondem a curiosidade por estes turistas fora de época e com os bons dias oferecem ajuda para dar orientações espontâneas que consideram pertinentes.



Se nos seguirem até ao Litoral Alentejano, aqui fica uma última sugestão: Optem por uma das herdades de turismo rural do Parque Natural onde é dada especial atenção à decoração, na linha dos tradicionais montes e onde se começa o dia sem pressa, desfrutando dos produtos locais.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Viajar!


Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!
Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!
Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.


Fernando Pessoa, 20-9-1933