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Mare de Déu de Montserrat


Apesar do deslumbre do caminho, conseguimos chegar antes do fecho da capela.

Uma capela pequenina, a necessitar de algumas obras, pendurada na escarpa

Esta capela tem o nome de Santa Cova porque foi na cova que está aqui dentro que foi encontrada, no século IX, a imagem da Virgem Maria que hoje se encontra na Basílica do Monastério.

Agora está lá uma singela réplica, como que a dar as boas vindas a todos os visitantes.

Mesmo sem cariz religioso podemos perceber que é um lugar especial, com características únicas.

Rosari Monumental

Mal saímos foi a correria pelo caminho de terra batido, que serpenteia uma das escarpas, para conseguir chegar à capela antes que fechasse.

Mas conforme avançávamos, tivemos mesmo que ir abrandando…

Isto não vinha no meu guia turístico….

Ali, entre as rochas, deparamo-nos com o Rosari Monumental.

O mais importante grupo de esculturas catalão, da época do Modernismo, ao ar livre , com obras de Antonio Gaudi e Josep Llimona, entre outros.

No mínimo, impressionante!

Funicular de Santa Cova

Regressamos ao Santuário de Montserrat era quase 16 horas. Mal dava tempo para ir à Capela de Santa Cova, que fechava ás 16h. 20m. e o último funicular era às 17 h. Mas já que aqui estávamos, vamos tentar…..

E ainda bem que fomos. Esta é a pacífica viagem que combina arte e lenda.

Este segundo funicular liga o santuário à gruta, a caverna capela, contra a rocha onde, segundo a lenda, alguns pastores encontraram a imagem de Mare de Déu de Montserrat.


O funicular percorre 282 metros até aos 118 metros em declive numa viagem muito agradável.

Enquanto descíamos vimos um dos teleféricos, usados pelos mais corajosos, que utilizam este meio de transporte desde Ministrol até ao Santuário.


Sigam-nos, vai valer a pena!

Aula de la Natura

Montserrat é inúmeras vezes referido como o local de peregrinação.

Será errado reduzi-lo a isso.

Há tanto para descobrir.
Quando regressamos à estação do funicular de Sant Joan, deparamo-nos com um pequeno local de exposição, denominado Aula de La Natura.


Aqui, para além de fotos e mapas que chamam a atenção para as particularidades do cenário natural, pequenos textos explicam a sua origem e formação através dos tempos.


A não perder.

O casarão isolado

Uns 300 metros mais à frente avistamos uma enorme casa construída em tijolo vermelho encostada à rocha.

A curiosidade atrai-nos até lá!

Já próximo podemos constatar que está abandonada. A maior parte das suas enormes janelas já nem têm as portadas.

Chegados à entrada principal, o que resta do seu interior está devassado… camas articuladas de ferro misturadas com antigos irradiadores. Não existe nenhuma identificação no local.

A escada que sobe para o primeiro piso é ampla, localizada logo ao lado esquerdo, mas também esta pejada de lixo e artigos abandonados. Optámos por não subir, pois podia não ser seguro.

De qualquer forma causou-nos uma forte impressão. Como se de um cenário das obras de Stephan King, se tratasse.

Acabámos por não saber qual terá sido a sua história mas quando penso neste local, a imaginação, de vez em quando, ainda espicaça a minha curiosidade....


O que terá acontecido aqui?

Ermida de Sant Joan

Deixámos o tareco para trás e prosseguimos o nosso caminho. Destino: Ermida de Sant Joan.Uma caminhada longa, quase uma hora, por carreiros entre arbustos e penedos.


Cruzamo-nos com outros caminhantes, na sua maioria catalães. Aprendemos que se nesta província se saúda com um "Bom Dia" e não com um "Buenos Dias" como os castelhanos.

Por fim lá estava ela, a ermida... fechada e semi abandonada... o interior também não estava em melhor estado. Notava-se a poeira e o abandono num interior quase despojado de objectos, como podemos observar através da grade da porta...


Um fim um pouco desolador para tão longa caminhada. Pena.

Caminhada Sant Joan


Mal chegámos ao topo deparamo-nos com um espectáculo da natureza único.
Os passeios e vistas ao redor do local são verdadeiramente espectaculares. Toda a montanha, (10km de extensão), é uma reserva natural.
Existem 13 eremitérios, sendo que o mais acessível é o de Sant Joan.

Existem também outras caminhadas, incluindo um circuito a todas as eremidas e as (relativamente fácil) caminhadas para o pico Sant Jeroni, à 1 235km (4 053 ft).

Começamos a caminhar em direcção ao eremitério de Sant Joan. No primeiro miradouro que encontramos, com uma vista soberba, somos de imediato abordados por um gatinho.

Corre na nossa direcção, ronrona, dá “marradinhas” e, explicitamente, pede-nos comida.
Fiquei logo ali a morrer de pena dele…. Terá sido abandonado neste local ermo? Estará perdido?

Esvaziei a mochila, e dei-lhe todas as bolachas que tinha. Ele começa por comer uma, outra, outra…. E eis que chegam mais uns 4 ou 5 turistas, e o nosso amigo peludo deixa-nos e vai fazer o seu número a eles. Pode ser que eles tragam coisas melhores!

Ok! O gato não está perdido. Também trabalha no ramo do turismo! :) Por isso está gordinho e com bom pelo!!!!

Subir para lá das nuvens....

Não sei como descrever...


Assim que o Funicular Sant Joan partiu do local de embarque, começámos a disfrutar de uma sensação unica....

Se o Mosteiro já fica acima das nuvens, imaginem serem transportados até ao topo dos penhascos!!!

FUNICULAR SANT JOAN

Este funicular permite disfrutar de una impresionante panorámica de Montserrat a 1.000 metros de altitud y contemplar las mejores visitas de la montaña.
El viaje en el funicular de Sant Joan es una experiencia inolvidable, con un ingenio que supera una pendiente máxima del 65 % y que tiene un recorrido de 503 metros.El funicular fue inaugurado en el 1918 para comunicar la parte exterior del monasterio con la ermita de Sant Joan, ubicada en la parte alta del macizo, donde se encuentra también el mirador.

El éxito alcanzado por la línea muy pronto evidenció que su capacidad de transporte era insuficiente y en 1926 fue substituido por una nueva instalación, con un ancho de vía diferente y vehículos de más capacidad.
En 1986 fue integrado en la red de FGC, y en el año 1997 fue sometido a un amplio proceso de modernización, durante el cual fue dotado de unos nuevos vehículos panorámicos.

O mito da "La Moreneta"

O culto da Virgem Senhora do Montserrat perde-se nas brumas do passado, envolto em mitos. Vem de épocas remotas. Dos primeiros tempos do Cristianismo, envolvendo até o Apóstolo São Pedro, que teria chegado à Península Ibérica com uma imagem de Nossa Senhora Jerusalemitana, esculpida por São Lucas.
Não se pode precisar a época, devido às versões históricas existentes porém, é um dado adquirido que a imagem é posterior à propagação do culto, sendo que um dos relatos mais antigos data de 546, na Catalunha, quando um monge chamado Querino fundou um mosteiro, muito simples, consagrado a uma virgem, na subida da montanha.

Mais tarde, por ocasião da invasão árabe, a imagem venerada foi escondida numa caverna, onde foi encontrada dois séculos depois por pastores da região, que a levaram de volta ao mosteiro, em procissão solene.

Relatos antiquíssimas narram que alguns pastores de Obesa passavam pela montanha, em 880, e ouviram cânticos de celestiais e foram atraídos por um mágico esplendor irradiado do meio de um rochedo. Encantados com a maravilhosa visão aproximaram-se, cautelosamente, e notaram uma imagem numa cavidade natural da rocha que, difundia uma certa magia.

Diante do inesperado acontecimento, os pastores revelaram ao bispo Marenza o ocorrido, o qual subiu à montanha e pode verificar que a imagem encontrada pertencera à Igreja de Barcelona, desde os tempos do Cristianismo e que havia sido colocada naquele lugar, pelos Godos, em 711, durante a invasão moura, para a proteger da profanação dos infiéis.

A notícia espalhou-se, rapidamente, e os habitantes das redondezas acorreram ao local e tentaram transportar a imagem para um ponto mais elevado da montanha. Porém, notaram que não a conseguiam mover, levando-os a acreditar que estavam diante de algo sobrenatural. Assim, a imagem permaneceu naquele local, onde foi erguida uma capela, sob a protecção dos monges do Monistrol.

No século IX, Walfrido, o Cabeludo, costumava orar na capela, onde também foi construído um mosteiro de monges beneditino que, posteriormente, foram substituídos por religiosas da Ordem dos Homeros. E, com a notícia de que estavam a acontecer milagres diante da venerada imagem, a peregrinação tornou-se numerosa.

Devotos da Espanha, e de toda a Europa, e de todos os estratos sociais acorreram ao local.

A imagem da Virgem no altar-mor da Basílica é de madeira escura, conforme registaram os cronistas espanhóis: "La cana y manos, asi de la Madre como del Hijo, son de color moreno, ó más bien, negro", motivo pelo qual é chamada carinhosamente de La Moreneta pelos catalães e cuja entronização ocorreu em 1947.

A imagem e a cadeira são de madeira, enquanto o manto é de ouro. Ostenta ainda um tocado que lhe cinge a áurea coroa. Quanto ao Menino Jesus no seu regaço, também foi esculpido em madeira escura.

"A Sagrada Imagem - diz Manoel Fontdevilla - pertence ao estilo romântico-catalão, do século XII".

Mosteiro de Montserrat

O nome oficial é Monasterio de Santa Maria de Montserrat, fundado pelos beneditinos por volta do ano 1 000.

Depois de diversas mudanças dos grupos religioso que administravam o local, e também de uma destruição quase completa pelas tropas de Napoleão, em 1811, grande parte do mosteiro foi reerguida no século XX, por arquitectos catalães.

Apenas esta parede resta do mosteiro original
Até hoje este é um local de peregrinação de fiéis que vêm em adoração da Virgem de Montserrat, conhecida como "La Moreneta".

Além dos prédios ocupados pelos religiosos, e da igreja onde fica a santa negra, existe uma infra-estrutura para receber turistas, incluindo lojas, um self-service, restaurante e museu.

Optámos pelo restaurante. A escolha do esparguete de marisco revelou-se bastante acertada. O serviço é bom.

As lojas vendem “marchandising" do local (artigos seleccionados e de bom gosto) e alusivos à região.

Conhecemos o interior da igreja onde por trás do altar se destaca La Morenata. Seguimos a fila e a tradição, e passámos por de trás da imagem onde é possivel acariciar o globo que está na mão do Menino Jesus ao colo da Virgem. O numero de pessoas que aguardava na longa fila impede-nos de parar por muito tempo.

Depois da visita à Basílica, os visitantes são conduzidos para um original túnel de pedra, em forma de gruta. Aqui existem suportes  rocha, onde os fiéis podem colocar as velas acesas. Para além da vertente religiosa, sobressai aqui um apurado sentido estético, que se enquadra, quase de forma natural, na Basílica.

Cremallera


Os comboios para Montserrat da FGC saem da Plaça d’Espanya de hora em hora a partir das 8h36 para Montserrat-Aeri para quem opte usar o teleférico ou para Monistrol de Montserrat, para quem prefira usar o comboio da cremallera.

Nós, pessoas cautelosas, optamos por fazer a viagem na segurança dos carris. O mosteiro de Montserrat situa-se na montanha, a uma altura de 700 metros de altura e os últimos quilómetros, montanha acima, são alcançados pelo tal comboio da cremallera.

A partir de Monistrol, a Cremallera é como o nome indica, é um pequeno comboio que sobe (e desce, claro) apoiado em carris e numa cremalheira, que o ajuda a vencer o grande desnível entre a gare de Monistrol (pequena aldeia de ar meio abandonado ...) e o terreiro do santuário.

Diferente

Um dos mais antigos comboios da cremallera