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É só mudar de roupa... voltamos já

 


No último dia de Novembro despedimo-nos de Milão, mas o ano ainda não acabara, e como eu estou sempre a lembrar, Dezembro é uma altura maravilhosa para viajar.


Em Dezembro ainda vamos dar um pulinho… a Itália 😊

San Siro ou Giuseppe Meazza


O primeiro estádio que visitei e, até hoje, o que considero mais belo.

A escolha de nome depende apenas se olhamos com os olhos do AC Milan ou do Internazionale Milano. San Siro é o nome do bairro onde fica o estádio cujo nome oficial é Giuseppe Meazza. A história é simples: Tudo começou em 1925, quando o estádio foi construído pelo então presidente do Milan, Piero Pirelli. Em 1935, o estádio foi comprado pelo Município de Milão que iniciou uma operação de expansão e aumentou a capacidade de lugares. Em 1946, o Inter que não tinha estádio e passou a utilizar o San Siro para sediar seus jogos ‘em casa’.  Em 1980, o estádio foi rebatizado como Giuseppe Meazza, importante jogador que defendeu as duas equipas.

Esta era a história que já conhecíamos, e um bom início para apreciarmos a nossa visita. Fomos de metro e descemos na estação de San Siro Stadium. Depois é apenas uma breve caminhada em linha recta.

Comprámos os bilhetes no local. As visitas iniciam-se a cada hora, com um grupo restrito.


Através das várias salas é são apresentadas camisolas organizadas por ordem cronológica (inclusive de outras equipas que jogaram no estádio) testemunhos de importantes jogos para a história do futebol mundial, taças e conquistas de ambas as equipas, documentação histórica do percurso de cada clube.

Passamos às tribunas de honra, os vestiários (sentei-me na cadeira do Gattuso que neste ano ainda representava as cores do AC Milan) os balneários, a sala de imprensa e, como o tempo ajudou e não estava a decorrer nenhuma manutenção, foi possível entrar, literalmente, em campo.

Dica: O museu abre todos os dias, exceto em dias de jogos, e funciona das 10h00 às 17h00 e o tour guiado pode ser feito em várias línguas. Pode comprar os bilhetes in loco ou online, no site do clube: https://www.acmilan.com/it





Castello Sforzesco



Deixámos o Arco della Pace, atravessamos o Parco Sempione e entrámos em Milão medieval, que é como quem diz, entramos no Castello Sforzesco.



Este castelo foi originalmente a fortaleza da família Visconti e mais tarde a residência da dinastia Sforza que governou Milão. Os fossos para a defesa do castelo foram concebidos por da Vinci e, posteriormente, drenada por Napoleão que também eliminou as pontes levadiças.

Actualmente um dos locais mais emblemáticos da região Lombarda, é mundialmente conhecido não só pelo edifício monumental, como também pelo complexo de nove museus que abriga: os Museus Cívicos (Musei Civici) e pelas obras-primas expostas, entre elas, a Pietá de Rondanini de Michelangelo.




Esta é umas das metas clássicas dos turistas, porém dada a sua dimensão, com quatro itinerários possíveis, o conselho é que antes de visitarem os museus façam uma pesquisa das obras que pretendem ver, pois para conhecer todo o espaço, não é possível fazê-lo num só dia!

Arco della Pace


Menos conhecido, menos divulgado, mas Milão também tem o seu arco do triunfo: O Arco della Pace fica no maior espaço verde da cidade, o Parco Sempione.

A caminho do Castello Sforzesco, fomos tirar a fotografia obrigatória no curriculum de viajante.

É um arco neoclássico de vinte e cinco metros de altura, feito de mármore dos Alpes suíços, mandado erguer por Napoleão (concluído durante o início do século XIX), para honrar as suas vitórias militares.

Poucos sabem, mas este monumento marca o começo da estrada que liga Milão a Paris.


Gallerias Vittorio Emanuele II

 


No imaginário dos viajantes é impossível pensar em Milão sem pensar nas Gallerias Vittorio Emanuele II, o centro comercial mais antigo da Itália.

A enorme cúpula, 47 metros do chão e 39 metros de diâmetro, feita de ferro e vidro são a imagem de marca. Aqui ficam as lojas de marcas famosas, cafés e restaurantes de renome, livrarias históricas, um museu e até um hotel. Uma curiosidade é o facto de todos os logotipos das lojas terem, obrigatoriamente, de ser em letras douradas sobre um fundo negro.


Nós atravessámos as galerias sem pressa, a prestar atenção a cada detalhe e sem esquecer os pisos superiores. Também não nos esquecemos de passar pelo touro representado num mosaico no chão (à esquerda do octógono indo na direção da Piazza Scala) e com o calcanhar do pé direito nos testículos do animal demos três voltas inteiras. Dizem que dá sorte. É pura superstição, mas mal não faz, e ainda podemos dizer que já cumprimos rituais do folclore milanês.

Mas se as lojas e seus preços não estão ao alcance de todos, é possível aproveitar o cenário sentado num destes cafés e apreciar o frenesim dos milaneses a atravessar as galerias rapidamente para atingir o seu destino, ao mesmo tempo que os turistas se preocupam com o melhor ângulo para uma selfie.

Catedral de Milão


É certamente o local obrigatório para quem visita Milão.

A obra prima da arquitectura, da escultura, da arte! Levaram cinco séculos a terminá-la, mas valeu cada ano! A sua grandeza impõe-se na praça. São quarenta e cinco metros de pura arte. Não existe uma pedra exterior que não esteja trabalhada.


A sua envergadura é quase palpável e basta aproximar-nos das portas para percebermos o quanto somos pequenos!


Ao contrário do que seria de esperar, apesar da sua dimensão, o interior é austero, salientando os mármores do chão e a enormidade das colunas que vão até ao tecto. Quase no topo várias janelas exibem vitrais minuciosos, com de episódios bíblicos, as quais refletem uma luz etérea no chão.

É possível descer a escadaria de mármore até o tesouro do Duomo para ver e apreciar os objetos paleocristãos e romanos que ali se encontram.


Mas o local mais popular entre os visitantes é sem dúvida o terraço, e há uma razão para isso: porque é espectacular. Não é apenas à vista sobre Milão, mas a arquitectura e a cantaria, tão intrincada que somos obrigados a questionar-nos como é que é possível que tenha sido criada por mãos humanas há tantos séculos atrás. Impressionante a quantidade e o nível de detalhes.


A subida aos terraços faz-se pela lateral do Duomo e pode-se optar pelo elevador ou pelas escadas. Como as escadas são fechadas, sem vista panorâmica ou outro elemento digno de interesse, a escolha mais sensata neste caso é o elevador a não ser que a fila para esteja demasiado longa.


Conselhos importantes:

Subir aos telhados da Duomo por volta da nove da manhã para as melhores fotografias, sem muito publico a atrapalhar.

Levar calçado confortável e antiderrapante.

Não transportar nas mochilas objectos cortantes pois somos revistados pelo exército à entrada do Duomo

Encontrei os Três Reis Magos

 

Que descoberta foi para mim o tumulo dos Reis Magos! Esses mesmos, os do presépio.

Fica na Basílica de Sant'Eustorgio. datada do século IV, dedicada a Santo Eustórgio, Bispo de Milão, a quem se atribui a transferência das relíquias dos Reis Magos.

Ao aproximar-nos da basílica há logo um elemento muto diferente: no topo da torre está uma estrela de oito pontas, símbolo do cometa que guiou os Reis Magos a Belém, e não uma cruz como é regra em todas as igrejas católicas.

Entramos e a escuridão em que se encontra e o silêncio que nela mora, fazem recuar no tempo. O interior não possui a opulenta ornamentação das igrejas góticas e barrocas, mas é justamente a sua singeleza e sobriedade que dão encanto ao templo. A contrastar, nas paredes várias folhas A4 impressas indicam uma direcção “Tomba dei Magi”, imagino que esta seja a pergunta mais frequente dos turistas.


Seguimos até à “bookshop”, aqui já mais iluminada e na sala seguinte, num cantinho, uma construção rustica em pedra, ou melhor, o sarcófago de pedra dos Reis Magos!

A história é rocambolesca e cheia de peripécias, até porque ninguém sabe ao certo se eles existiram mesmo ou onde morreram, mas a dado momento é tido como certo foi Santa Helena, mãe do imperador Constantino, que encontrou os seus restos mortais e os levou a Constantinopla.

Eustórgio, nomeado bispo de Milão na época, foi a Constantinopla para receber a confirmação dessa nomeação e, na ocasião, recebeu também um grande sarcófago como presente do imperador, que continha as relíquias dos Reis Magos.

Utilizaram então carros de bois para transportar o sarcófago para a Catedral de Milão. Quando a longa viagem estava quase no fim, os animais ficaram cansados e não avançaram nem mais um passo: Eustórgio entende isto como um sinal do lugar onde os Magos deviam ficar e manda erguer uma igreja no local. Ainda hoje é visível uma pedra esculpida com este episódio.

Mais tarde quando Milão foi saqueada Federico Barbarossa as relíquias foram confiscadas e levadas para Colonia e apenas em 1904 alguns fragmentos foram devolvidos a Itália.

Mas mesmo que as relíquias integrais não estejam em Milão, é uma visita interessante, já que é aqui que está o sarcófago de pedra que abrigou os Reis Magos durante mais de mil anos, até ao furto, e está também uma medalha forjada com o ouro com que alegadamente foi presenteado o Menino Jesus.

É a história, é a lenda mesmo diante dos nossos olhos!

Os Eléctricos Milão


... e 2010 foi o ano da descoberta de Milano. Se por um lado fiquei deslumbrada com tantos novos locais a visitar e com os nevões que saudaram a nossa chegada, por outro a
ssumi que, com o tanto que já se escreveu sobre a capital da Lombardia, eu não ia conseguir ser original nas minhas descrições ou conselhos e acabaríamos esta crónica com nada de novo.

Vamos antes falar das impressões e sensações de conhecer algo de que sempre ouvimos falar e a alegria daquelas pequenas descobertas que encaramos como só nossas. Serão pequenas chamadas de atenção para, quem resolver seguir os nossos passos, não se esquecer de olhar.

Enquanto caminhamos para o centro histórico a nossa atenção é captada pelos inúmeros elétricos, todos eles de cores diferentes, encantadores, barulhentos e antigos (alguns deles, quase centenários, idênticos aos de Lisboa) que cruzam placidamente as ruas.

São dezoito linhas de elétrico que começam todos os dias, a partir das quatro horas da manhã, a percorrer uma verdadeira teia de carris pelas estradas da cidade.

E depois há o Atmosfera. Um elétrico restaurado e transformado em restaurante que, enquanto jantámos, fez um original tour nocturno de duas horas e meia pelos locais mais importantes da cidade.

Proporciou-nos uma visita diferente e inovadora, contudo há um pequeno senão: A iluminação interior faz reflexo nos vidros, dificultando a visão de quem quer espreitar o exterior e inviabiliza fotografias com o mínimo de qualidade.

Recomendamos pela experiência! Esqueçam as fotografias e degustem um jantar cheio de originalida!